Estes pares de imagens são aparentemente iguais. Mas não ao: uma foi tirada especialmente para o olho direito e outra para o esquerdo. Então, com elas podemos fazer um belo efeito 3D. Com algum programa? Não, com a máquina mais potente do mundo: o ser humano. Isso mesmo, basta você olhar entre as duas figuras e fique vesgo. Vesgo mesmo, até a imagem se formar no centro e a qualidade aumentar. Você pode até piscar, se precisar, com os olhos assim, desconexos.
Clique para ampliar as imagens.
sábado, 6 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
A evolução do flanelinha - Ivan Angelo
A evolução do flanelinha
Ivan Angelo
Estacionei o carro numa rua tranquila de bairro, com boa sombra, e andei duas quadras para arriscar um palpite na Mega-Sena. Voltei milionário, imaginando como distribuiria o dinheiro e faria as aplicações da bolada.
Entrei no carro, dei a partida, e estava ajeitando o cinto de segurança quando se materializou da janela um homem talvez jovem, sujo da rua, magrelo, se alguns dentes, à espera. Mais um coitado do que uma ameaça. Havia espaço para eu air fora, mas a cirscunstância de estar momentaneamente milionário me levou a procurar um dinheirinho para o rapaz.Cata nas gavetas do carro, cata nos bolsos, e a busca só produziu uma moeda de 25 centavos, que estendi para o rapaz co a cara de sinto muito é só o que há. A cara dele não foi só de decepção, foi também de vítima do sistema, que se traduziu em reclamação:
- Tá difícil ser flanelinha neste país.
Ora veja. Como se eu estivesse explorando um pobre trabalhador, pagando uma miséria pelo serviço prestado. Aí a indignação foi minha:
- Se não quer, devolve. Que flanelinha o quê, rapaz... Nem estava aqui quando eu cheguei. Me fez algum favor? Algum serviço?
Diante da oalavra serviço ele me olhou como se tivesse ouvido uma coisa sem propósito. E foi-se afastando, braços resmungões.
- Tem de encarar a realidade, rapaz. Você é pedinte, não é flanelinha.
Não falei alto, espero que não me tenha ouvido. Consciência de seu papel era o de que ele menos precisava naquela situação.
Fico pensando nos flanelinhas. Eles não chegaram de repente como gafanhotos, não foi uma onda. Vieram vindo. Há uns 45 anos atrás, ou mais, a classe média começou a comprar automóvel. Lavava o carro na porta de casa. Não havia lava-rápido. Sábado e domingo de manhã eram dias de lavar o carro no portão. Alguns davam o brilho com cera e se afastavam uns passos para admirar a beleza. Quem podia lavava no posto. Os ricos tinham motoristas que faziam isso por eles.
Começaram a aparecer uns rapazes esforçados, com baldes e panos, nas ruas, praças e outros locais onde os carros estacionavam.
- Quer lavar doutor? No capricho.
Por uns trocados, lavavam o carro. Você estacionava, ia fazer suas coisas e quando voltava seu carro estava "jóia", "joinha".
Com o tempo, o preço começou a subir, o serviço passou a ser fracionado:podia-se lavar só os pneus, com escova e sabão, e óleo queimado depois, para ficarem brilhando; podia-se lavar só os vidros e os cromados; ou fazer uma "completa". Os lavadores de carro forma aumentando, já identificados mais pea flanela na mão elos baldes e panos, e rivalizavam e brigavam entre si. Para atrar os motoristas, que cresciam rapidamente de número, eles disputavam vagas agitando a flaneliha, ajudavam nas manobras, Passadomais algum tempo, e multiplicado o número de carros, a briga passou a ser pela vaga, não pelo serviço. Vai perguntar hoje se algum flanelinha quer lavar o seu carro... Nem flanela eles usam mais. Organizaram-se em gangues. Com a multiplicação de furtos de carros e nos carros, a função deles mudou, oferecem-se como guardadores.
- Que que olhe, doutor?
Ai de você se não quiser. Antes, a paga podia ser qualquer trocado, gora tem preço fixo alto, dependendo do lugar e do evento. Nem por isso seu carro está guardado. ALguns fazem que não veem os ladrões, outros se associaram a eles.
A praga dos guardadores de carros espalhou-se pelo país. Um dia, numa pequena cidade histórica de Minas, estacionei o carro no largo da Igreja de Nossa Senhora da COnceição. Logo veio um menininho, miudeza de seus 8 anos:
- Pode olhar, moço?
Brinquei:
- Nossa Senhora já está olhando.
E ele, mineirinho:
- Eu ajudo ela.
crônica de Ivan Angelo,
publicada na revista Veja São Paulo em 30 de Setembro de 2009 (nº39)
Ivan Angelo
Estacionei o carro numa rua tranquila de bairro, com boa sombra, e andei duas quadras para arriscar um palpite na Mega-Sena. Voltei milionário, imaginando como distribuiria o dinheiro e faria as aplicações da bolada.
Entrei no carro, dei a partida, e estava ajeitando o cinto de segurança quando se materializou da janela um homem talvez jovem, sujo da rua, magrelo, se alguns dentes, à espera. Mais um coitado do que uma ameaça. Havia espaço para eu air fora, mas a cirscunstância de estar momentaneamente milionário me levou a procurar um dinheirinho para o rapaz.Cata nas gavetas do carro, cata nos bolsos, e a busca só produziu uma moeda de 25 centavos, que estendi para o rapaz co a cara de sinto muito é só o que há. A cara dele não foi só de decepção, foi também de vítima do sistema, que se traduziu em reclamação:
- Tá difícil ser flanelinha neste país.
Ora veja. Como se eu estivesse explorando um pobre trabalhador, pagando uma miséria pelo serviço prestado. Aí a indignação foi minha:
- Se não quer, devolve. Que flanelinha o quê, rapaz... Nem estava aqui quando eu cheguei. Me fez algum favor? Algum serviço?
Diante da oalavra serviço ele me olhou como se tivesse ouvido uma coisa sem propósito. E foi-se afastando, braços resmungões.
- Tem de encarar a realidade, rapaz. Você é pedinte, não é flanelinha.
Não falei alto, espero que não me tenha ouvido. Consciência de seu papel era o de que ele menos precisava naquela situação.
Fico pensando nos flanelinhas. Eles não chegaram de repente como gafanhotos, não foi uma onda. Vieram vindo. Há uns 45 anos atrás, ou mais, a classe média começou a comprar automóvel. Lavava o carro na porta de casa. Não havia lava-rápido. Sábado e domingo de manhã eram dias de lavar o carro no portão. Alguns davam o brilho com cera e se afastavam uns passos para admirar a beleza. Quem podia lavava no posto. Os ricos tinham motoristas que faziam isso por eles.
Começaram a aparecer uns rapazes esforçados, com baldes e panos, nas ruas, praças e outros locais onde os carros estacionavam.
- Quer lavar doutor? No capricho.
Por uns trocados, lavavam o carro. Você estacionava, ia fazer suas coisas e quando voltava seu carro estava "jóia", "joinha".
Com o tempo, o preço começou a subir, o serviço passou a ser fracionado:podia-se lavar só os pneus, com escova e sabão, e óleo queimado depois, para ficarem brilhando; podia-se lavar só os vidros e os cromados; ou fazer uma "completa". Os lavadores de carro forma aumentando, já identificados mais pea flanela na mão elos baldes e panos, e rivalizavam e brigavam entre si. Para atrar os motoristas, que cresciam rapidamente de número, eles disputavam vagas agitando a flaneliha, ajudavam nas manobras, Passadomais algum tempo, e multiplicado o número de carros, a briga passou a ser pela vaga, não pelo serviço. Vai perguntar hoje se algum flanelinha quer lavar o seu carro... Nem flanela eles usam mais. Organizaram-se em gangues. Com a multiplicação de furtos de carros e nos carros, a função deles mudou, oferecem-se como guardadores.
- Que que olhe, doutor?
Ai de você se não quiser. Antes, a paga podia ser qualquer trocado, gora tem preço fixo alto, dependendo do lugar e do evento. Nem por isso seu carro está guardado. ALguns fazem que não veem os ladrões, outros se associaram a eles.
A praga dos guardadores de carros espalhou-se pelo país. Um dia, numa pequena cidade histórica de Minas, estacionei o carro no largo da Igreja de Nossa Senhora da COnceição. Logo veio um menininho, miudeza de seus 8 anos:
- Pode olhar, moço?
Brinquei:
- Nossa Senhora já está olhando.
E ele, mineirinho:
- Eu ajudo ela.
crônica de Ivan Angelo,
publicada na revista Veja São Paulo em 30 de Setembro de 2009 (nº39)
terça-feira, 2 de março de 2010
Briga entre gigantes
Google acusa Microsoft de orquestrar uma série ações contra ele por suposto abuso do poder de mercado
David Alandete,
Em Washington
"É claro que nossas concorrentes buscam ansiosamente nos tribunais de todo o mundo queixas contra a Google às quais possam aderir, para aprender mais sobre nossas práticas de negócios e utilizar essa informação para ampliar ainda mais as ações por supostas práticas pouco competitivas", explicou na segunda-feira (1º) o porta-voz da Google, Adam Kovacevich.
A Microsoft, através de seu porta-voz Jack Evans, respondeu: "É de domínio público que um número crescente de consumidores, empresas e governos manifestam preocupações pelo comportamento do Google e por sua posição dominante no mercado, e não é nenhum segredo que compartilhamos essas preocupações. Não deveria surpreender a ninguém que com frequência apareçam entidades que creem ter sido prejudicadas pelo Google ou que animemos qualquer uma que tenha uma queixa legítima a entrar em contato com as autoridades pertinentes".
O Google quis ver nas recentes ações contra ela uma guerra de guerrilha que, na verdade, seria uma operação maciça de assédio atrás da qual se esconde a Microsoft. O Departamento de Justiça dos EUA autorizou no último dia 18 a Microsoft a fechar um acordo pelo qual utilizará a tecnologia da máquina de buscas Yahoo, uma aliança virtual para enfrentar o Google. Hoje o Google detém 65% do mercado de buscas nos EUA, segundo dados da ComScore. Em nível global, e segundo a StatCounter, o Google detém 90% do mercado. Yahoo e Bing, combinados, 7%. Essa situação de predomínio preocupa muitos concorrentes. Alguns, pequenos em comparação de volume de buscas, processaram o Google.
Na semana passada a Comissão Europeia revelou que havia aberto uma investigação preliminar depois de ter recebido três queixas por supostas práticas monopolistas na forma como o Google administra sua máquina de buscas. Foi o Google, em um blog corporativo, que revelou os nomes dessas três empresas. Além disso, explicou que duas delas estão estreitamente relacionadas à Microsoft. Uma delas, a Ciao!, é um comparador de preços alemão que a Microsoft adquiriu em 2008. A Foundem é outra máquina de buscas e comparador de preços britânica, fundada em 2005. Pertence a uma aliança chamada Icomp, dedicada a fomentar a competitividade no mercado online. Em seu site na web revela que recebe "financiamento dos membros contribuintes e fundos da Microsoft".
Em janeiro passado, a mesma empresa apresentou uma queixa na Comissão Federal de Comércio dos EUA porque o Google inclui anúncios publicitários de suas várias divisões comerciais nos resultados de suas buscas. "A colocação preferencial do Google Maps nos primeiros lugares do resultado das buscas do Google, que começou em maio de 2007, teve um papel significativo em eliminar a MapQuest de sua posição como serviço de mapas líder nos EUA", explica como exemplo. A Foundem conclui: "O mecanismo universal de buscas do Google representa uma ameaça imediata à competitividade e à inovação livres". E acrescenta: "Existe uma necessidade urgente de restringir o domínio do Google, seja através de competitividade ou de regulamentação".
Na segunda-feira (1º) o jornal de Nova York "The Wall Street Journal" revelou também que uma pequena empresa de Ohio processou o Google por suposta posição monopolista. O advogado que a representa é Charles Rule, que colaborou com a Microsoft desde a década de 90. Em um artigo de 1997 publicado na revista "Slate", Rule escreveu: "Não é um crime que uma empresa tenha sucesso. As leis antimonopólio foram criadas para complementar, e não para deslocar, as forças de mercado. O mesmo que o Google defende hoje.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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